quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Endereço
- Sim, claro ! Acabou de dobrar a esquina da Solidão. Estava indo visitar a Saudade.
- Ah, pobre Vida... Não sabe mais pra onde ir depois que o Amor mudou-se
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Lovely stranger...
Sentir o teu calor e a tua companhia
Quando você chegar
Eu quero te mostrar a minha alegria
Aí meu coração vai poder sossegar...
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Todas elas juntas num só ser
Dessas que com seus dotes e seus dons,
Inspira parte dos compositores
Na arte das palavras e dos sons,
Tal como Madallene, de Jacques Brel,
Ou como Madalena, de Martinho;
Ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry,
E a manequim do tímido Paulinho;
Ou como, de Caymmi, a moça prosa
E a musa inspiradora Doralice;
Se me surgisse uma moça dessas.
Confesso que eu talvez não resistisse;
Mas, veja bem, meu bem, minha querida;
Isso seria só por uma vez,
Uma vez só em toda a minha vida!
Ou talvez duas... mas não mais que três...
sábado, 5 de julho de 2008
Porra!
Úrsula se perguntava se não era preferível se deitar logo de umavez na sepultura e lhe jogarem a terra por cima, e perguntava a Deus, sem medo, se realmente acreditava que as pessoas eram feitas de ferro para suportar tantas penas e mortificações; e perguntando e perguntando ia atiçando a sua própria perturbação e sentia desejos irreprimíveis de se soltar e não ter papas na língua como um forasteiro e de se permitir afinal um instante de rebeldia, o instante tantas vezes desejado e tantas vezes adiado, para cortar a resignação pela raiz e cagar de uma vez para tudo e tirar do coração os infinitos montes de palavrões que tivera que engolir durante um século inteiro de conformismo.
— Porra! — gritou.
Amaranta, que começava a colocar a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.
— Onde está? — perguntou alarmada.
— O quê?—
O animal! — esclareceu Amaranta.
Úrsula pôs o dedo no coração.
— Aqui — disse.