terça-feira, 27 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Cegueira
É caro velho da venda preta, é preciso mesmo muita coragem pra fazer isso. Eu que sempre tive olhos mas que nem sempre enxerguei, tampouco deixei que olhassem para dentro de mim através de minhas janelas. Achei que assim conseguiria evitar este mal, não este mal que cega a vista, mas sim o que cega minha razão, e, como se não bastasse, tem efeito contrário nos caminhos que ligam os olhos ao meu coração. Este caminho não há mal-branco ou de qualquer cor que consiga cegar, é tão fácil achá-lo e percorrê-lo que penso ter olhos-de-gato dentro de mim sinalizando o caminho.
PS: Que chuva !
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Só
Não quero nada,
Não deixo nada, que não tenho nada,
Só tenho o que me falta e o que me basta,
No mais é ficar só,
Eu quero ficar só.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Endereço
- Sim, claro ! Acabou de dobrar a esquina da Solidão. Estava indo visitar a Saudade.
- Ah, pobre Vida... Não sabe mais pra onde ir depois que o Amor mudou-se
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Lovely stranger...
Sentir o teu calor e a tua companhia
Quando você chegar
Eu quero te mostrar a minha alegria
Aí meu coração vai poder sossegar...
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Todas elas juntas num só ser
Dessas que com seus dotes e seus dons,
Inspira parte dos compositores
Na arte das palavras e dos sons,
Tal como Madallene, de Jacques Brel,
Ou como Madalena, de Martinho;
Ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry,
E a manequim do tímido Paulinho;
Ou como, de Caymmi, a moça prosa
E a musa inspiradora Doralice;
Se me surgisse uma moça dessas.
Confesso que eu talvez não resistisse;
Mas, veja bem, meu bem, minha querida;
Isso seria só por uma vez,
Uma vez só em toda a minha vida!
Ou talvez duas... mas não mais que três...
sábado, 5 de julho de 2008
Porra!
Úrsula se perguntava se não era preferível se deitar logo de umavez na sepultura e lhe jogarem a terra por cima, e perguntava a Deus, sem medo, se realmente acreditava que as pessoas eram feitas de ferro para suportar tantas penas e mortificações; e perguntando e perguntando ia atiçando a sua própria perturbação e sentia desejos irreprimíveis de se soltar e não ter papas na língua como um forasteiro e de se permitir afinal um instante de rebeldia, o instante tantas vezes desejado e tantas vezes adiado, para cortar a resignação pela raiz e cagar de uma vez para tudo e tirar do coração os infinitos montes de palavrões que tivera que engolir durante um século inteiro de conformismo.
— Porra! — gritou.
Amaranta, que começava a colocar a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.
— Onde está? — perguntou alarmada.
— O quê?—
O animal! — esclareceu Amaranta.
Úrsula pôs o dedo no coração.
— Aqui — disse.